segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

TRAGÉDIA NA BAHIA


TRAGÉDIA NA BAHIA Perícia feita no local do acidente comprova que Márcio Clênio usou contramão para fazer ultrapassagem proibida

Motorista da carreta indiciado


Gustavo Maia

Enviado especial, do NE10/Bahia

JEQUIÉ - Apontado pela perícia e por uma testemunha como o responsável pelo acidente que deixou 33 mortos e 13 feridos na Bahia, na madrugada do último sábado, Márcio Clênio Machado, 55 anos, motorista da carreta de placa KBD-2342, de Criciúma (SC), será indiciado hoje por homicídio com dolo eventual. Na prática, significa que ele não queria cometer o crime, mas assumiu o risco ao fazer uma ultrapassagem proibida na rodovia federal.

A colisão entre a carreta, carregada de gesso, e o ônibus fretado para cortadores de cana-de-açúcar de Pernambuco que trabalhavam no município de Jateí, em Mato Grosso do Sul, e regressavam para Buíque e Pedra, no Agreste pernambucano, ocorreu no km 583 da BR-116, entre Milagres e Brejões, no Centro-Sul da Bahia. Um caminhão-baú também foi atingido, sem muita gravidade.

De acordo com a delegada Maria do Socorro Damásio, titular da Delegacia de Jaguaquara, cidade situada às margens da BR-116, a perícia realizada na área do acidente indicou que o motorista da carreta usou a contramão, invadindo a faixa onde estava o ônibus. "A partir do momento que ele sai da própria faixa para fazer uma ultrapassagem indevida ou por qualquer outra razão, ele está assumindo o risco de produzir um resultado desastroso, neste caso foi a morte de 33 pessoas", explicou.

Ela ficará responsável pelo inquérito porque os delegados de Milagres e Nova Itarana, municípios mais próximos do local da colisão, estão de férias. Segundo Maria do Socorro, o motorista da carreta deve ser convocado a prestar depoimento hoje. "Como ele (Márcio) ainda não entrou em contato comigo, continuo esperando que a PRF (Polícia Rodoviária Federal) envie todos os documentos e o boletim de ocorrência", informou. Ontem, a policial passou quase todo o dia ocupada com a devolução de documentos e pertences retirados dos destroços aos familiares das vítimas e outros processos burocráticos.

Segundo o policial Hamilton Andrade, do posto da PRF de Milagres, que registrou a ocorrência, o motorista do caminhão-baú, cujo nome não foi divulgado, informou aos agentes da PRF que o condutor da carreta perdeu o controle do veículo pouco antes da colisão. “Ele não soube dizer se havia sido por imprudência ou por algum outro motivo”, relatou Andrade. Conforme o policial rodoviário, o tacógrafo da carreta, equipamento onde fica registrada a velocidade do veículo, não foi encontrado.

De acordo com uma funcionária da Funerária Universal Pax, que retirou os corpos do local do desastre, Márcio Clênio deu outra versão para o acidente logo após receber alta hospitalar, por volta do meio-dia do sábado. "Ele conversou comigo e disse que o motorista do ônibus entrou na pista dele", contou a mulher, pedindo para não ser identificada.

Os três veículos envolvidos na tragédia foram levados na tarde de sábado para o terreno de uma empresa que faz guincho de veículos, às margens da BR-116, em Nova Itarana. O que restou do ônibus e da carreta dá a dimensão da gravidade do acidente. Os bancos do coletivo estão completamente retorcidos. A lataria, dilacerada. O gesso transportado pela carreta ficou impregnado no interior do ônibus.

Funcionário da empresa de guincho, Renílson Silva da Cruz, 33, ajudou a retirar algumas vítimas das ferragens e se orgulha de ter participado do resgate de duas pessoas. "Cheguei lá uma hora depois e estava um caos. A BR-116 tem muito acidente, principalmente com carreta e caminhão, mas eu nunca tinha visto um tão feio. E olhe que eu trabalho há 15 anos aqui no guincho", considera. O mecânico disse ter testemunhado a ação de saqueadores. "É um absurdo, não respeitam nem os mortos. No meio do resgate, vi gente pegando relógio, carteira", lamenta.

Fonte:JC

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