segunda-feira, 9 de julho de 2012

“PSB terá que se explicar ao Recife”


André Nery/Folha de Pernambuco
Senador: “Vou defender a gestão de João da Costa durante a campanha”

Candidato do PT à Prefeitura do Recife, o senador Humberto Costa enumera, nesta entrevista, quais suas propostas para os principais problemas da cidade. O petista disse que reconhece as ações positivas da administração do prefeito João da Costa (PT) e que vai defender a gestão. Segundo ele, o maior o problema do gestor foi a falta de habilidade política, o que acarretou na impossibilidade dele ser o candidato do partido. Com o tom indignado, o senador falou da relação com PSB, prometeu que se for eleito os socialistas vão participar do seu governo, mas não escondeu o ressentimento com o partido aliado.
O PT está vivendo um dos seus períodos mais difíceis no Recife. Como a cúpula petista vai fazer para desconstruir nesse pleito essa imagem de uma legenda conflituosa?
A população é muito inteligente. Ela sabe que o PT é um partido que tem as suas divergências, tem os seus pontos de vistas diferenciados entre os seus militantes, mas que na hora da ação atua de forma unificada, conjunta e faz, realiza. Tanto é que todas as pesquisas de opinião mostram que mesmo depois de todos esses conflitos que aconteceram e dos quais eu não fui protagonista ativo a população continua a considerar o PT como o partido que ela mais deposita confiança. Mais de 50% das pesquisas que eu vi agora, e inclusive das que a gente fez, mostra que a população quer que o PT continue à frente da Prefeitura. Até porque o PT não é só a o PT municipal, é o PT nacional. É Dilma, é Lula, é o que eles fizeram para o nosso Estado.
Como o PT vai fazer para mostrar que ainda tem condições de governar a cidade?
A população se sente plenamente confiante no que o PT pode fazer. Aliás, esse argumento de divisão do PT é tão interessante que alguns usam para algumas situações e outras não. O que é que está acontecendo em Caruaru? O PDT está dividido, o vice-governador João Lyra não apoio a candidatura do prefeito Zé Queiroz, outros partidos também estão insatisfeitos e, no entanto, ninguém teve a idéia de lançar candidatura de outros partidos, por considerar que o PDT não pudesse unir a frente. Então esse é um argumento político sem consistência. O importante é que o povo acredita no PT e eu acredito que vai continuar nos dando esse voto de confiança.
O senhor considera que existe algo de positivo na gestão de João da Costa? E pretende dar continuidade ao que foi iniciado na gestão dele?
Nós obviamente vamos defender nossa gestão. Nós somos um projeto que tem 12 anos aqui. O projeto começou lá atrás e está tendo continuidade e nós queremos continuar e avançar nas mudanças que nós fizemos. Quer dizer, nós queremos avançar naquilo que foi feito até agora. Isso é patrimônio político que nós temos e nós vamos defender.
Então, qual foi o erro do prefeito João da Costa? Foi político?
Eu tive oportunidade de dizer várias vezes que nosso problema, nossa divergência no campo da gestão administrativa são poucas. Ou seja, o que está sendo feito na cidade, as prioridades, nós temos consenso nessa questão. A nossa divergência básica dizia respeito à gestão política A relação com o partido, a relação com os partidos que dão sustentação ao governo, a relação com a Câmara (de Vereadores), a relação com a sociedade. Então isso é que nós defendíamos que não tinha avançando da forma como achamos que deveria avançar. Tanto é que hoje nós vivemos uma posição onde o PT de certa forma poderia ter uma situação resolvida anteriormente com mais tranquilidade. Na verdade nossa divergência era no campo da política.
Mas o senhor acredita que a população vai entender isso?
Claro que a população entende. O efeito desses conflitos todos que aconteceram quando a gente analisa é mínimo. Essa coisa fica na nossa cabeça que acompanha a política, mas a população está preocupada em discutir os seus problemas. O que estou querendo fazer é exatamente isso. Dizer como a gente vai enfrentar os problemas da mobilidade, da saúde, da educação. É esse o debate que o povo quer ouvir e a população sabe os princípios que regem o PT. Vem ai um discurso de “é preciso um gestor, um modelo de gestão”. Isso não é fim em política, em gestão pública. Isso é meio. O que é o modo de gestão do PT? É o modo de gestão que criou o Bolsa Família, que criou 15 milhões de empregos no Brasil, que fez com que Pernambuco recebesse Refinaria, Estaleiro, Hemobrás, Fiat. Isso é o que a gente tem que discutir. O que a política no final vai trazer para população. Então nós temos um modelo de gestão consagrado. O que é que no Recife o PT construiu? A Via Mangue, um sistema de Saúde com o Samu, com o Brasil Sorridente, com Farmácia Popular, com Academia das Cidades. Temos na área de assistência social diversas ações. Programas de atendimentos aos dependentes do crack, na área de habitação as moradias que foram construídas. É isso que a população quer saber e não se A brigou com B, brigou com C ou com D. Então, estou tranquilo em relação a isso.
O candidato do PSB tem feito discursos defendendo que o Recife cresça no mesmo ritmo de Pernambuco. Ele tem destacado as ações que participou diretamente, como o Pacto pela Vida, a presidência de Suape, além dos investimentos que atraiu na Secretaria de Desenvolvimento. E o senhor, o que vai destacar?
O Recife tem avançado muito. O Recife tem tido o crescimento econômico, o Recife tem tido o crescimento do emprego. Não é verdade que Pernambuco estala na frente e Recife está lá atrás não. Até porque Recife tem muitas dificuldades para serem enfrentadas que fazem com que algumas divergências possam existir. Segunda coisa que precisa ser dita. Porque é que Pernambuco está tão lá na frente? Foi em grande parte dos investimentos federais que foram feitos em parceira com o governo do estado. Vamos ver o que desenvolveu. Refinaria: governo federal junto com governo do estado. Polo petroquímico: governo federal junto com governo do estado. Hemobras, governo federal junto com governo do estado. Fiat o governo federal mudou a legislação para garantir a vinda da Fiat. E eu, inclusive, fui relator da medida provisória. BR 101, o governo federal está duplicando. BR 104, dinheiro do governo federal quem faz é governo do estado, BR 408 governo federal e quem executa é governo do estado. Transposição do São Francisco, Transnordestina. Parece que de uma hora para outra esqueceram que esse desenvolvimento e crescimento todo foi feito a partir de uma parceria, de uma aliança política onde o governo do estado teve um papel preponderante, onde PT teve um papel preponderante. Então Recife está se beneficiando também dessas relações políticas e vai continuar crescendo de uma forma que não é essa diferença entre o que o estado cresce e o que Recife cresce não.
A sua gestão vai ter maior afinidade com o recurso do governo federal?
O nosso governo atual foi buscar recursos. Nós temos recursos ai para investimentos na faixa de R$ 5 bilhões que estão para começar. E de todos os candidatos que ai estão, acho que sou o que tem mais qualificação para buscar recursos para a cidade. Primeiro porque eu tenho experiência administrativa razoável. Eu já fui secretario municipal de saúde, ministro de saúde, eu sei onde está o dinheiro, eu sei como fazer parcerias, eu entendo como uma coisa funciona política a administrativamente. Já fui secretário estadual de cidade, mexi com habitação, mexi com transporte público, mexi com transito. Também sei as portas lá no governo federal, onde a gente pode buscar os recursos para essas ações, coisas do PAC da mobilidade começaram quando eu estava na secretaria das cidades. Além de que eu tenho uma experiência legislativa bastante significativa como vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, eu sei como caminhar em Brasília para buscar os recursos. Eu tenho acesso a presidenta Dilma, a todos os ministros que lá estão. Então acredito que estou mais qualificado que todos os candidatos que ali estão para continuar esse esforço de trazer investimentos para o Recife.
A eleição deste ano vai ser diferenciada, não só pela disputa entre petistas e socialistas, mas pelas alianças formadas ao longo do tempo. Um das uniões que chamou atenção foi sua aproximação com o deputado João Paulo. Mas, de agora, já rumores que essa aproximação não dura muito tempo. O senhor garante que vai continuar unido daqui para frente?
Sempre tive boas relações com todos os companheiros do PT. Tanto eu tive diálogo com prefeito João da Costa, tenho diálogo com companheiro João Paulo. Apesar de nós termos tidos muitas disputas internas jamais eu rompi minha relação política com ele e o exemplo maior que temos entendimento consistente é que ele está compondo, fez um gesto político profundamente largo. De alguém que liderava todas as pesquisas de opinião e se torna vice de um companheiro de partido. Essa é uma aliança que tem uma preocupação de revigorar com o PT, da mesma forma eu vou continuar perseguindo um objetivo de trazer comigo o prefeito, para que a gente possa ter o PT unido nessas ideias, nesse programa e de espaço para todos que compõem o partido. Então meu objetivo é de tornar cada vez mais sólida essa aliança com João Paulo também.
Como vai ficar a aliança com PSB depois desse pleito? O senhor acredita que as duas legendas atuarão em campos distintos?
Se depender de nós as coisas permanecem como estão. Não fomos nós que rompemos com o PSB, ao contrario. O PT é um dos partidos fundadores da Frente Popular nos moldes atuais. Todo mundos e lembra que em 2006 no segundo turno, antes mesmo de conversar com o PT em manifestei meu apoio a Eduardo Campos. Participamos do governo dele, construímos vários projetos dentro do governo dele. Apoiamos aqui coisas que a gente não tinha unidade absoluta, em nome de apoiar o governo, a reeleição da Assembléia Legislativa e tantas e tantas coisas. É obvio que a gente teve também gestos do PSB, mas esperávamos que em Recife tivéssemos um gesto largo de contar com o apoio do PSB. Então nós não rompemos. Nós não mudamos de lado. Não fomos lá buscar elementos da direita ou elementos que são nocivos ao nosso projeto nacional para fazer composição política. Eu não fui pedir apoio a Jarbas, nem fazer acordo político com ele não. Isso ai o PSB tem que explicar ao Recife. Porque é que o PSB fez uma tentativa de isolar o PT e foi buscar apoio de figuras que são contra Lula, contra Dilma, contra o PT.
Se vencer vai chamar o PSB para compor a gestão?
Não tenho nenhuma dúvida que sim. Vou procurar, vou atrás, vou pedir. O PSB tem excelentes quadros, outros partidos que estão na aliança deles também tem excelentes quadros e nós vamos buscar esses quadros para compor nosso governo.
Como o senhor analisa o rompimento com o PCdoB no Recife?
Ao PCdoB tem que ser perguntado ao PCdoB. O PT na relação com o PCdoB foi de absoluta lealdade e fidelidade. Nós estamos lá e Olinda apoiando a candidatura de Renildo Calheiros, sabemos que é uma candidatura difícil, mas o PT em nenhum momento teve vacilação que deveria apoiar o PCdoB lá. Nós esperávamos atitude semelhante aqui na cidade do Recife, ma quem pode dizer por que é que não está aqui é o PCdoB
O que achou da saída do ex-deputado Maurício Rands do partido?
Ele tomou uma decisão individual, não conversou com nosso partido. Eu já emiti uma nota sobre esse fato e aquela nota já diz tudo sobre aquela questão.
Como o senhor avalia os problemas enfrentados no trânsito e quais são as propostas para melhorá-lo?
O central na minha opinião deve ser incentivar os transportes coletivo e alternativo. Nossa cidade tem uma perspectiva de poder ter ciclovias que deem ao ciclista segurança adequada para que ele possa sair de casa para ir ao trabalho ou ao lazer. Uma das minhas metas é ingressar naquela política que foi aplicada em Nova York, Londres e São Paulo da cidade amiga do ciclista e da bicicleta. Isso significa a gente construir ciclovias e ciclofaixas e fazer, principalmente, um trabalho de educação com os motoristas no sentido de respeitar os ciclistas. Outra preocupação é a questão da navegabilidade dos rios que eu pretendo que a Prefeitura tenha uma participação mais decisiva na implementação.
Em épocas chuvosas é sempre o mesmo cenário: pontos de alagamento devido aos canais e galerias entupidos e o risco que corre a população dos morros e ribeirinhas. Como o senhor irá trabalhar estas questões?
O governo municipal já vem desenvolvendo ações importantes de identificação de pontos de estrangulamento no que diz respeito a macro e microdrenagem e a limpeza permanente dos canais. Nós temos um programa financiado com recursos do Governo Federal que é o PAC Saneamento/Drenagem. Duas coisas têm que ser feitas: primeiro dar continuidade a este plano que vem desenvolvendo uma série de atividades e, por outro, desenvolver um trabalho de conscientização da população, pois muitos dos alagamentos se deve ao entupimento das galerias pela colocação inadequada de resíduos e de lixo. Iremos manter um processo permanente de limpeza como já é feito hoje, dá sequência a esta política do PAC e a aplicação de recursos próprios que a Prefeitura, também, já vem fazendo.

A política de habitação é uma das frentes da atual gestão com a construção dos conjuntos habitacionais. O senhor irá ampliá-los ?
Foram milhares de moradias que foram construídas e cedidas à população por intermédio desta parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal. Muitas obras importantes que são mais do que obras de habitação, são as obras de intervenção urbana que estão a caminho, à exemplo daquela região que era a antiga favela do rato, que é a área do Pilar. Ela está sendo inteiramente revitalizada e a nossa ideia, se as obras não forem concluídas até o final do ano, é ter o compromisso de ampliá-las. Podemos trabalhar para reduzir o número de favelas, de habitações que chamamos de subnormais, mas incluir nisso a melhoria das condições das habitações existentes, dando garantia de segurança para a população que vivem nos morros. A habitação vai continuar a ser uma prioridade para o nosso governo.

Como o senhor está pensando trabalhar a educação no seu governo?
Eu sou defensor da ideia de que a educação é uma política essencial. Nosso governo avançou muito desde 2001 até agora. O objetivo da gestão deve ser colocar todas as crianças na escola e, se possível, em tempo integral. Uma das preocupações é ampliar o número de escolas integrais. Realmente nós temos problemas estruturais, escolas em que a estrutura é extremamente complexa, difícil e tem que se ter um plano de investimento. Melhorar a qualificação e as condições de trabalho dos professores, também, é um compromisso, além de preservar tudo aquilo que foi conquistado como o fardamento escolar e a distribuição dos livros.

Os Postos de Saúde da Família (PSF) poderiam diminuir os atendimentos na rede estadual, mas eles possuem problemas estruturais e falta de profissionais. Como mudar esta realidade?
A nossa ideia é ampliar o saúde da família porque ainda tem margem e espaço para isso. É lógico que vamos nos defrontar com o problema estrutural e temos que ter uma política de investimento. Para isso a minha proposta é ampliar a receita da Prefeitura no orçamento da saúde. Hoje nós estamos cumprindo a lei gastando 15%, mas eu acho que a gente precisa gastar um pouco mais até para fazer um investimento nesta estrutura da rede. Uma das propostas essenciais é a conclusão da informatização do sistema de saúde municipal, com isso você pode marcar consulta por telefone, ter um acompanhamento para saber o tempo que está se levando para marcar uma consulta, o tempo de atendimento e a presença do profissional nas unidades.
No Recife há alguns aparelhos culturais não conservados. O Teatro do Parque é um grande exemplo disso. O senhor tem alguma proposta para resolver este tipo de problema, aproveitar, organizar e restaurar os aparelhos culturais da cidade?
Sempre falamos das dificuldades, mas temos exemplos de coisas que deram e estão dando certo. A gestão que está sendo implementada no (Parque) Dona Lindu, por exemplo, fez com ele se tornasse uma área de referência hoje para atividades culturais procuradas por gente que vem de fora e desenvolve atividades locais muito importantes. É preciso que haja um investimento em estrutura. O caso do Teatro do Parque, eu destinei uma emenda parlamentar para esta obra de restauração do teatro. É preciso ter uma política agressiva de captação de recursos, especialmente do Governo Federal, para essas obras de restauro e manutenção desses equipamentos culturais, ao mesmo tempo ampliar o orçamento da área da cultura para que essa manutenção se dê de forma adequada, trabalhar ainda mais a cultura, como estamos fazendo, a cultura como um espaço de atividade econômica é importante. Nós avançamos, mas creio que há ainda mais o que se avançar nisso e continuar nossa política sem nenhum tipo de fobia ao que vem de fora, mas de produção de nossa cultura, que é algo que pesa muito na autoestima da nossa população. Precisamos nos qualificar para todo programa que o Ministério da Cultura tem. Recife já tem vários pontos de cultura, nós temos programas do Ministério que são para restauro, manutenção e construção de equipamentos culturais, existe um espaço importante para trabalharmos isso.
Em 2004, Sandy e Junior fizeram um show aqui recebendo R$ 480 mil. Em 2007, o DJ Fat Boy Slim fez um show recebendo R$ 600 mil. Ambos geraram polêmicas pelas quantias destinadas aos shows. Então, gostaria de saber sobre o apoio a produção do artista local e popular?
É inegável que nós avançamos muito nisso. Se você olhar o que era a atividade cultural do Recife antes da nossa primeira gestão, em 2001, e o que é hoje mudou radicalmente. Inclusive nesse aspecto, no incentivo as atividades culturais como espaço de geração de emprego e renda. Eu me lembro de que antes de 2001 era só Recifolia e o Carnaval muito minguado. Nós conseguimos nos desenvolver na área de promoção de atividades que geraram mercado para o artista local. Aqui, no Recife, você tem um Carnaval extremamente forte e que a cada ano se fortalece ainda mais e predominam as atividades de artistas locais, apesar de ser um Carnaval multicultural. Nós temos também São João e Natal fortes hoje aqui na cidade do Recife, todos eles têm como atrações principais artistas locais, sempre com esta preocupação de não ser contra o que não é daqui.
E nós tivemos também a instituição de espaços, chamadas de Refinarias culturais, que são espaços, inclusive, de formação profissional na área de produção cultural - formar produtores culturais, estimular determinadas atividades que a própria população desenvolve. Uma coisa muito importante é que a cultura no Recife, ao longo destes 12 anos, deixou de ser uma atividade concentrada e passou a ser uma atividade que se desenvolve tanto do ponto de vista da produção quanto do acesso aos bens culturais e as atividades culturais. O São João e o Carnaval têm vários polos, são coisas que as pessoas quando vêm de fora ficam impressionadas. Você está num Carnaval em Casa Amarela e, daqui a pouco, você ver um show de Jorge Ben Jor, entra Lenine e tudo isso no bairro, gratuitamente. Numa política muito boa e agressiva que foi de fazer a população ser protagonista da produção e também pudesse ter o acesso aos eventos. Lógico que tivemos problemas de questões orçamentárias, questões de gestão que precisam ser equacionadas, melhoradas no sentido de que o artista, que desenvolve seu trabalho, possa ser pago logo depois. Mas são problemas de gestão que não comprometem nem de longe o projeto grande que o Recife tem para essa área cultural.
Quanto aos aparelhos esportivos e sociais, o Geraldão é um deles e está abandonado. Você tem algum projeto para ele?
Ali realmente temos uma dificuldade, pois é uma estrutura pesada que para algumas atividades perdeu a adequação.Hoje praticamente funciona como uma Secretaria de Esportes. Acho que a precisávamos, no caso do Geraldão, desenvolver um trabalho ouvindo a comunidade esportiva, gestores e segmentos da iniciativa privada para pensar num modelo de gestão que seja público, mas que ao mesmo tempo permita que o ginásio receba um conjunto de atividades. Por exemplo, antigamente sediamos grandes eventos esportivos de esportes amadores, hoje temos dificuldades para isso, precisamos de recursos para investir, recuperar, manter e modernizar. A ideia seria a gente desenvolver um plano de estudo, encabeçado pela prefeitura, mas ouvindo diversos segmentos da sociedade um modelo de gestão que fosse adequado para o Geraldão implicando, inclusive, em investimentos para modernizar.
Em 2016, haverá Olimpíadas no Brasil. O senhor tem algum projeto visando os esportes amadores: algo que possa alavancar o esporte e a quantidade de atletas pernambucanos no evento?
Eu vejo que a Prefeitura tem tentado estimular, mas precisamos talvez de uma política mais agressiva em relação a isso, feita em parceiras. O Governo Federal tem vários programas que estimulam a pratica da atividade esportiva e que procuram estimular através do patrocínio o esporte de alto rendimento, aquele que vai gerar os atletas que vão as Olimpíadas. A prefeitura precisa desenvolver um esforço conjunto com Governo do Estado e Governo Federal para investir nesses talentos com pagamento de bolsas agregando um pouco mais de recursos. Tem tantos programas que têm os três níveis de Governo (Municipal, Estadual e Federal) financiando, a gente pode trabalhar isso ai. Além disso, eu, prefeito, pretendo que a Prefeitura possa dar um apoio aos clubes (de futebol) do Recife tanto do ponto de vista das competições nacionais quanto das locais. Encontrar mecanismos que possamos contribuir, pois futebol é uma das coisas mais fortes da nossa cultura. Talvez Pernambuco seja o único Estado do Brasil que você tenha a maioria do povo torcendo pelos clubes locais, isso é uma afirmação cultural e que merece apoio. Aquelas equipes que forem sediadas no Recife nós vamos elaborar um programa específico para contribuir para a participação delas no campeonato estadual e também nos nacionais.
Como candidato, como avalia a capacidade do recifense para enfrentar o mercado de trabalho atual. Hoje, o recife assume um novo perfil, com alta tecnologia de trabalho envolvida. O que há de projeto de geração de empregos e de capacitação, para que o Recife atenda a demanda de mão de obra qualificada pelos empregadores?

Geração de empregos é uma preocupação central pra quem pretende assumir o cargo de prefeito. O Recife vem se desenvolvendo a passos largos, como Pernambuco e como o Brasil. E muito desses avanços são articulações do Governo Lula, que segue com Dilma. E para tal, precisamos ter a população bem informada e capacitada para que aproveite as oportunidades de trabalho que estão surgindo. O Recife já tem vocação importante na área de alta tecnologia, especialmente na área de informática e no polo digital e que, sem dúvida, é uma das áreas que podemos ter um aproveitamento melhor de mão de obra. Nós temos universidades que trabalham nessa área também. Somos polo importante em saúde, com uso de tecnologia de ponta e onde temos órgãos formadores de capital humano. A Prefeitura, dentro da rede educacional, pode investir na área profissionalizante. Particularmente para essas áreas onde a demanda vem crescendo na cidade. Essa será uma das prioridades da gestão.

Que instituições seriam os centros formadores de mão de obra recifense?
A própria prefeitura tem 17 escolas profissionalizantes e a ideia é que esse número aumente. Já há demanda aprovada no ministério da educação para a chegada de um centro federal com perfil profissionalizante aqui para o Município. Também temos diversos órgãos, sejam organizações não governamentais ou instituições do Sistema S que, em parceria com a PCR, pode aumentar o número de treinamentos, em uma quantidade bem maior.

A ideia é aumentar de 17 escolas para quantas?
Temos um problema grave que é espaço para construção de órgãos públicos, como escolas ou postos de saúde, por exemplo. Vamos trabalhar, estudar e Identificar onde podemos investir. As próprias comunidades têm escolas, pequenas, localizadas dentro das áreas de moradia, que estão em condições inadequadas e isso precisa ser revisto. Então, não dá pra dizer qual será a nossa capacidade de novas escolas técnicas.

E a questão de áreas é entrave para o Recife também na captação de indústrias. Está no seu plano de governo tentar trazer alguma unidade fabril para cá? Que setores seriam importantes para o Recife? E como fica o impasse com o Estado, que foca em interiorizar o desenvolvimento?

Recife tem vocações econômicas tradicionais e aceita por todos. Em serviços, temos polos importantes, como o polo de saúde ou nas áreas jurídica e educacional. Essa é a atividade econômica a ser priorizada. Hoje, tem a indústria do turismo que funciona na cidade, seja de lazer, que pode ser ampliado com política mais vigorosa. Seja de negócios, que já é forte e tende a crescer com a vinda da Copa do Mundo. Essa indústria limpa também tem espaço, mas a industria comum também tem possibilidades. Temos mercado para várias coisas e facilidade de acesso de vários produtos e serviços. Temos que definir as prioridades.

Fonte:http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/politica/noticias/arquivos/2011/outubro/1591.html

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