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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Protesto no Rio pede punição para responsáveis por desabamento de ciclovia

Grupo criou movimento no Facebook para mobilizar manifestantes para o ato deste domingo


Fernando Frazão/Agência Brasil
Quando Cláudia Medeiros ouviu a notícia do desabamento de parte da Ciclovia Tim Maia, em São Conrado, no feriado de 21 de abril, e soube que havia duas vítimas, sentiu um misto de angústia e alívio. Moradora do Leblon, sempre insistia para que a filha de 18 anos fosse andar na ciclovia. E a moça nunca quis. “Nesse dia que caiu a ciclovia, me veio uma sensação, uma angústia, porque imagina se tivesse sido minha filha. Me deu uma falta de ar, uma revolta”. Inaugurada em janeiro deste ano, a obra teve investimentos de R$ 44 milhões.

Para que o acidente não caia no esquecimento, Cláudia e o amigo Beto Góes decidiram convocar pelo Facebook um ato neste domingo (15) no Mirante do Leblon, não só para cobrar justiça pela morte do engenheiro Eduardo Marinho de Albuquerque e do gari Ronaldo Severino da Silva, vítimas do desabamento, mas também para criticar o descaso em relação à qualidade da obra. Segundo especialistas, não teria sido observado devidamente o impacto do mar naquela área, em períodos de ressaca.
Como não há ainda uma resposta oficial e definitiva sobre a tragédia, Cláudia resolveu criar esse ato. “A sociedade nunca vai evoluir se não fizer cobrança”, destacou. Na terça-feira (10), Cláudia ligou para a subprefeitura, a fim de comunicar a realização da manifestação e saber se havia interesse em enviarem representantes para se posicionar a respeito. No dia 12, para sua surpresa, recebeu uma ligação do prefeito Eduardo Paes, convidando-a para ir ao seu gabinete. Ele prometeu relatar o passo a passo das investigações. Cláudia preferiu, porém, receber primeiro os dados por e-mail, conversar com amigos e só então agendar a entrevista com Paes. "É preciso que a prefeitura tenha um canal direto com a população para dirimir dúvidas", cobrou.
Descaso
O gerente comercial e ciclista Bruno Martins estava passeando na orla e aderiu de imediato à iniciativa, que definiu de “nobre”. “Foi um desastre total [o desabamento da ciclovia], não deveria ter acontecido. A ciclovia deveria ter sido construída de outra forma e os responsáveis [pela tagédia] têm que pagar”. Martins lembrou que o acidente resultou em duas mortes por motivo fútil. Ele passou em São Conrado dez minutos depois do acidente.
Beto Góes, comerciante e parceiro de Cláudia Medeiros na organização do protesto, ressaltou que a questão principal no acidente é o descaso com o cidadão, com o dinheiro público, com a vida de outras pessoas. “A grande problemática é essa. Um assunto totalmente abafado, duas vidas que se perderam, um dinheiro absurdo que não tem uma explicação. Não tem ninguém que tenha sido responsabilizado até agora”, acrescentou Góes.
Federação de ciclismo
Para o presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj), Cláudio Santos, toda a mobilização em prol do ciclismo e da mobilidade com segurança é "perfeitamente plausível e até louvável”.
Santos disse à Agência Brasil que mais movimentos e protestos como esse devem ser feitos. “É ciclovia mal feita", disse. "É falta de segurança no dia a dia, não só na questão do trânsito, mas principalmente em termos de roubos e furtos de bicicletas. É o conjunto da obra. A coisa está muito ruim”, completou.
O presidente da Fecierj defendeu que a prefeitura do Rio tem de ser cobrada pelos erros e que o Ministério Público tem de ser acionado. “E que as pessoas façam a coisa certa para que a bicicleta seja uma opção segura de transporte”.
Prefeitura
Em nota divulgada neste domingo, a prefeitura do Rio informou que, além de estar à disposição da polícia para prestar todos os esclarecimentos, contratou auditoria independente do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) e do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para apurar o ocorrido.
“Enquanto as investigações que apontarão os responsáveis pelo acidente estão sendo realizadas, decreto publicado em 27 de abril no Diário Oficial garantiu o afastamento das empresas Contemat Engenharia e Geotecnica S/A e Concrejato Serviços Técnicos de Engenharia S/A de todos os processos de contratação e licitação de obras de estrutura no município. Todos os pagamentos destinados às duas empresas estão retidos desde então. O decreto também determinou que os responsáveis técnicos do consórcio para a obra da ciclovia sejam afastados de qualquer contrato firmado com a prefeitura. Comprovada a responsabilidade das empresas, elas serão consideradas inidôneas na forma da lei”, conclui a nota.
Fonte:http://www.folhape.com.br/geral/brasil/2016/5/protesto-no-rio-pede-punicao-para-responsaveis-por-desabamento-de-ciclovia-0047.html

sexta-feira, 21 de junho de 2013

As manchetes dos jornais do Brasil e do mundo


Folha de Pernambuco
Isso é democracia; Isso, não!

Diario de Pernambuco
A lição do Recife para o Brasil

Jornal do Commercio
Guerra e paz

Folha de S. Paulo
Protestos violentos se espalham e confrontos atingem 13 capitais

Agora S. Paulo
Protestos reúnem 1 milhão; Palácio de Brasília é atacado

O Estado de S. Paulo
Mais de 1 milhão vai às ruas no País; violência marca protestos

O Globo
O Brasil nas ruas: Sem controle

Valor Econômico
Petrobras pode ter prejuízo trimestral com alta do dólar

Correio Braziliense
Um gigante fora de controle

Estado de Minas
O gigante quer muito mais

Zero Hora
Dilma convoca reunião de emergência após protestos

Brasil Econômico
População paga por redução das tarifas de ônibus

Jornais internacionais

The New York Times (EUA)
Nível de revolta no Brasil surpreende até manifestantes

Le Figaro (França)
Pensões: Hollande quer poupar os funcionários

El País (Espanha)
Universidades se unem contra corte de Wert nas bolsas de estudos

Clarín (Argentina)
Cristina endureceu seu ataque à Corte por frear reforma

Projetos de iniciativa popular seria o próximo passo?

A alternativa é vista como uma alternativa para o movimento não se perder (Foto: Reprodução)









O caráter difuso das manifestações que, há mais de uma semana, ganham as ruas do País contribui para o pensamento de que esses protestos não sugerem uma mudança prática no Brasil. O generalismo com que as reivindicações são realizadas levanta uma suposta necessidade de o movimento ter que dar um próximo passo para que não perder o seu sentido e, sobretudo, o seu poder de mobilização.

Como a lista de pontos questionados pelos manifestantes é extensa e inclui transformações em diferentes áreas, como saúde, educação e infraestrutura, começam a surgir os defensores de um ordenamento das ideias expostas nesses protestos.

Essa corrente indica que as mudanças sugeridas por esses movimentos não podem se dar apenas pela expressão do sentimento popular. Ressaltam que é necessária uma organização, o segmento de normas para a mudança das estruturas formais existentes.

E a elaboração e projetos de iniciativa popular, a exemplo do Ficha Limpa, começam a ser identificados como um mecanismo capaz de diminuir o atual ar subjetivo das manifestações.

Propostas como a fixação de percentuais específicos do Produto Interno Bruto (PIB) para as áreas da educação e saúde, por exemplo, são vistas como a materialização perfeita para o discurso que domina as ruas do Brasil. Vamos torcer para que essa possibilidade não se perca com o tempo.


Para ex-presos de 1968, falta foco nos protestos

Por Diogo Monteiro
Da Folha de Pernambuco

“Para as tradicionais instâncias partidárias, o que está acontecendo no Brasil é estranho, é alienígena. É Marte!”. A frase do ex-preso político Chico de Assis dá uma proporção da surpresa com que as recentes manifestações atingiram os partidos e analistas políticos brasileiros, que ainda tentam entender o processo que se iniciou na cidade de São Paulo e se espalhou pelo País. Um dos motivos que quebram a cabeça de alguns é a ausência de um foco nas demandas apresentadas pelos integrantes do protesto. Para se ter uma ideia, na página do Facebook que congrega os participantes do ato de hoje, no Recife, uma enquete que pergunta qual a principal reivindicação do movimento apresenta nada menos que 98 alternativas.


A Folha procurou pessoas que participaram de movimentações sociais em momentos-chave da nossa história para entender como eles veem os manifestantes e suas demandas. Chico de Assis, pernambucano que participou da luta contra o regime militar e por ele foi preso, se diz surpreendido positivamente pelas manifestações. Para ele, as demandas difusas podem ser uma dificuldade a ser vencida pelo movimento, mas fazem parte da sua própria característica.

“Agora, pode até ser benéfico. Essas manifestações não são produtos de um trabalho de organização, de um núcleo condutor. Elas colocaram os partidos à margem do processo, e estes estão se dando conta de como se distanciaram do processo social. Isso inclui todas as legendas, de Governo ou oposição”, avalia.

Fundador do PCBR, em 1968, o jornalista Marcelo Mário Melo, que garante presença no ato de hoje, no Recife, atribui a falta de foco ao “sabor de espontaneidade” de uma nova referência na manifestação das bases sociais. “Trata-se de um grande aprendizado. Todo esse movimento mostra que existe um enorme potencial de mobilização na sociedade e que a forma como os ‘acionistas majoritários do movimento popular’ têm atuado não atende a essa expectativa. Acredito que ao longo do tempo isso ganhe corpo em torno de grandes objetivos, de grandes reformas sociais”, prevê.

“O movimento que eu ajudei a organizar, entre 1966 e 1968, influenciado por uma vanguarda política, queria mudar o mundo. Estas manifestações de agora têm a perspectiva de mudar o cotidiano, o amanhã das pessoas”, diferencia o sociólogo José Arlindo Soares. Ele destaca que os protestos representam o acúmulo de diversas tensões urbanas, que se acumularam ao longo de anos e que explodiram sob o gatilho da questão do transporte, que atinge de alguma forma a grande maioria da população.

O advogado Aton Fon Filho, ex-integrante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), olha com desconfiança para as “causas genéricas” que se inseriram na pauta e identifica nelas uma “janela” para um ataque ao Governo Federal. “Quem não é ‘contra a corrupção’? Como se conclui que a corrupção foi vencida? A resposta que eles não dizem abertamente é: quando se derruba o Governo”, exemplifica.